segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Volume-11 lista seus discos da década - parte 8



2007


Menomena - Friend and Foe
23 de janeiro de 2007












Inventores de uma técnica para produzir um tipo de música modular, os integrantes do Menomena deram substância aos fonemas que formam seu nome. Em sintonia com os tempos digitais sem decartar o analógico, exibem aqui novas soluções de montagem, e fazem referências, como bons sampleadores, sem perder a autoria nem a unidade das composições. As seções são plásticas e leves, que podemos levar na cabeça e assobiar sem perceber: uma provocação de sax, um piano distraído, ganham vida quando não estamos olhando.
Ponto Alto: As letras são simples porém sagazes, as melodias convidativas, e cada composição é encaixada na voz certa. Suas metamorfoses vocais durante o disco são desconcertantes, e mais ainda, como todas soam espontâneas e indistintas da mensagem. Fazem duvidar que esforço supera talento.



The national – Boxer
22 de maio de 2007












Passaram-se alguns meses entre a descoberta ao acaso, a lenta rendição, a declaração ao mundo no Volume-11, a chance inesperada de vê-los ao vivo, e o atual momento, o escorregadio agora. Nesse breve espaço de tempo, o disco já foi incorporado ao meu patrimônio imaterial pessoal. Não removo uma vírgula do que escrevi anteriormente, assim como o show foi irretocável, e o disco assim permanece.
Ponto Alto: Composições sólidas nas mãos de instrumentistas em acordo com seu estilo pessoal. É uma banda movida por essa conjugação tão bem sucedida de impulsos criativos, que amadureceu no próprio ritmo e nunca mirou para o alvo antes do instante culminante. Na mosca.



Shellac - Excellent Italian Greyhound
4 de junho de 2007












Steve Albini é quase Deus. Excellent Italian Greyhound é apenas o segundo disco do Shellac no novo milênio, e o melhor, e Steve Albini é quase Deus, por isso Excellent Italian Greyhound está aqui. Os timbers inconfundíveis de guitarra, a pancada característica da bateria, o sangue pulsante do contrabaixo e a voz lancinante de Albini soam em Excellent Italian Greyhound como um retorno à casa. Suas letras, como sempre, são excelentes arroubos de fúria nerd contra o mundo e seu humor venenoso são parte do que fazem Shellac ser tão memorável.
Ponto Alto: The End of Radio, Steady as She Goes e Be Prepared são músicas que você não pode abdicar dos seus riffs, letras e tudo mais que faz uma música ser uma música se você quiser uma vida feliz, plena e respeitável.



Pelican - City of Echoes
5 de junho de 2007












O planeta Terra hoje se vê repleto de bandas de Post-Rock. Tal asserção não teria uma conotação negativa se todas elas não usassem a mesma fórmula, que vai de nomes herméticos ao Queito-Alto-Quieto, a nova Estrofe-Refrão-Estrofe. Não que os verdadeiros gênios do gênero (leia-se Mogwai) não saibam fazer isso com genialidade, mas a tropa de seguidores geralmente fazem a inspiração de uns se transformar em clichês e lugares comuns sem inspiração. Não é o caso de Pelican. Aliás, Pelican não é Post-Rock, seja lá o que Post-Rock seja, Pelican é Post-Metal, e por mais que essa classificação não queira também dizer muita coisa, por comparação, fica óbvio: Pelican é uma banda de metal instrumental, no lugar de ambiências e paisagens sonoras, riffs e mais riffs e mais riffs. E por mais que isso possa soar cansativo, basta colocar os fones e ouvir a QUALQUER disco da banda e tão logo a primeira música chegar à sua metade, você entenderá. Emprestando um pouco de Black Sabbath, Neurosis e um até de Earth, sem soar como nenhuma delas, Pelican arma seu arsenal de riffs e consegue ser um oásis de criatividade em um deserto árido e sem musas. Todos seus discos caberiam nessa lista.
Ponto Alto: Não há como escolher um, mas, nesse disco, basta ouvir a primeira música pra querer ter conhecido a banda antes.



Gravenhurst - The Western Lands
10 de setembro de 2007












Na afluência de bandas indies e folk que inundam o planeta com sua falta de imaginação, uma que se destaca justamente por fazer algo fresco, mesmo que ainda bastante evidente em suas influências (que vão de My Bloody Valentine à Neu!), permanece inaudita. Gravenhurst já havia lançado alguns álbuns antes deste que lhe garante um lugar de destaque na lista, mas é em The Western Lands que eles soam muito mais maduros e que conseguem conjugar suas influências para criar um som próprio e que consegue aguilhoar positivamente até os ouvidos que se negavam a ouvir.
Ponto Alto: Difícil apontar, teria que ser a sequência das três primeiras músicas, que dão as cartas e mostram em poucos minutos como a banda pode passear por lugares diferentes com naturalidade, sem perder o que a faz boa e diferente das demais.

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