sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Como tem passado? Como tem futuro?

No Brasil dos anos 70, quando imperava o tropicalismo, um rebelde zen que pensava alto demais para o tempo, desviou-se de todos os lugares comuns regionais, e com o coração tranqüilo e uma plácida e inspirada carreira chega até aqui. Sua música já alcançou paragens inimagináveis inspirando vanguardas para públicos nem nascidos. Sua aclamação silenciosa condiz com sua sobriedade musical, e sua modéstia é diretamente proporcional a seu gênio. É consolador pensar, nesses tempos de trevas, que um dia sua obra emergirá...
Reconhecemos algo de rock progressivo aqui e acolá, música oriental, música de ciranda, mantras concretistas, folk, fado, xaxado, mas no geral é simplesmente Música de altíssima qualidade. Consegue ser franco sem soar cafona, um mal que assola nossa tão negligenciada língua materna, e bicho-grilo sem soar boçal, um feito quase inédito.
Na estréia de 1973, Ou não, experimentou bravamente mesmo com produção pouco favorável. Já no seguinte, Revolver, ficamos pasmos do início ao fim, com a riqueza de ritmos, letras impactantes, modernidade dos arranjos e timbres. Em 1978 retorna pacífico, com arranjos mais orgânicos, letras transcendentais (faz bem se transformar num lindo blue...), campestres (bichos pastorela em triste sorriso), mantras indianos (Govinda), e a rodrigueana Criaturas. Vela aberta (1980) é seu disco de rock, ainda que as letras insistam na prática muito pouco roqueira da meditação (nada, no pensamento, tudo, no firmamento). Em 2001 regrava com uma sublime produção “sucessos” como Totem, Zen (com arranjos eletrônicos) e Quem puxa aos seus não degenera. É um show que ainda pode ser visto nos nossos dias, apesar de pouquíssimo divulgado.
Nós temos nossos gênios reconhecidos, espalhafatosos como Secos e Molhados e Ney Matogrosso (nosso Ziggy Stardust), os pioneiros Mutantes, os sem paralelos Novos Baianos, o camarada Jorge Ben, o visionário Raulzito, e por que não, o muito enfatizado Caetano. Mas tenho certeza que há uma vaga reservada ao honorável Walter franco no mirrado panteão da música popular brasileira.

2 comentários:

Anônimo disse...

Naquela época andava sempre muito louca, mas não perdia um show do Walter e do Zé. Bem no dia que os dois se juntaram no Sesc Poméia. Destrambelhei de vez, acho que foi a emoção. Só que me dei mal, acabei não conseguindo assistir o show, tal era o meu estado de embriaguez (pinga com groselha). Se arrependimento mata-se. E se o tempo voltasse atrás.
Tudo o que eu preciso agora é viver aquela letra: "Tudo é uma questão de manter, amente quieta, aespinha eréta eo coração tranqueilo".

Eliane disse...

Naquela época andava sempre muito louca, mas não perdia um show do Walter e do Zé. Bem no dia que os dois se juntaram no Sesc Poméia. Destrambelhei de vez, acho que foi a emoção. Só que me dei mal, acabei não conseguindo assistir o show, tal era o meu estado de embriaguez (pinga com groselha). Se arrependimento mata-se. E se o tempo voltasse atrás.
Tudo o que eu preciso agora é viver aquela letra: "Tudo é uma questão de manter, amente quieta, aespinha eréta eo coração tranqueilo".