sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

it's a dream world... a dark dream world... dark night of the soul...

Eu tinha acabado meu petit dejeuner continental, era 1° de Janeiro no Charles de Gaulle e eu me despedia da minha pequena que embarcava para a Turquia. Enquanto eu andava em direção ao meu portão de embarque, já pensando no frio de Estocolmo, coloquei meus headphones. Eu passava pelas pessoas que carregavam suas próprias bagagens, pensando nos seus próprios destinos e nada poderia ter feito mais sentido do que Revenge, música que abre Dark Night of the Soul.


Enquanto escrevo isso à mão no meu moleskine, são 11:32 em Paris e eu espero meu vôo que sai em 5 horas para a Suécia. Foram sete dias conhecendo tardiamente, e entendendo perfeitamente porque dizem que Paris é a cidade mais incrível de todas. Faz alguns dias, sob a torre Eiffel, milhares de turistas registravam juntos suas memórias individuais, enquanto eu, outro turista entre eles, com meus headphones, tinha, além de tudo, minha trilha sonora particular pra quando me emocionava andando à margem do Sena, admirando a grandiosidade da torre, enquanto tentava em vão me aproximar de um corvo assustado.


À todo momento, caso me sentisse abençoado ou insignificante, sozinho ou incluido, foi com Sparklehorse e Dark Night of the Soul que ora eu me acalentava, ora me empolgava. Talvez seja sintomático que, em seu último disco, Mark Linkous tenha escolhido outros artistas para cantar suas músicas (alguns com tremenda felicidade, outros nem tanta - we're looking at you, Frank Black). Acentuando o estranhamento, é perturbador ouvir letras como "In my mind I have shot you and stabbed you through your heart" sabendo que meses depois Mark ia, com um tiro no coração, acabar com sua própria vida em via pública.


Mark L escolheu deixar registrado nas vozes de outros suas últimas canções tristes e é com outro que terminaria sua própria vida pouco tempo depois, Vic Chesnutt, que o álbum atinge seu ápice logo antes de acabar, como numa representação precisa da vida de ambos artistas. Foi passando pelos barcos velhos, sob o céu que escurecia as 3 da tarde ouvindo a voz quebrada de Vic com a torre Eiffel pela primeira vez contra o cinza escuro do céu parisiense que Dark Night of the Soul me pareceu perfeito.


Enfim, se aproxima a hora do meu vôo e, com uma mala pesada, cheia de presentes, e um espírito leve, me preparo para ir rumo mais uma aventura incerta e desconhecida, como aventuras devem ser. Tenho certeza que, sem a companhia de Dark Night of the Soul, nada disso teria sido tão inesquecível. Aqui um brinde para todos os sonhos que ainda virão.



Sparklehorse - Revenge (ft Wayne Coyne)



Sparklehorse - Grain Agury (ft Vic Chesnutt)



Sparklehorse - Dark Night of the Soul (ft Vic Chesnutt)

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